PEQUENA HISTÓRIA DA CASA ILHA DA MADEIRA

A Imigração

A Casa da Madeira surgiu a partir do interesse no convívio com patrícios imigrantes madeirenses, que na década de 50, ainda chegavam em grande quantidade.

Aqueles chegados há mais tempo, e que já haviam alcançada uma certa estabilidade econômica, lideraram um movimento para reunir os compatriotas numa troca de idéias e experiências. Fazendo-se intérprete desse sentimento o Sr. Agostinho Gouveia , ou, como o chamavam os amigos, o Gouveia Velho, juntamente com um grupo de amigos, fundaram, em 1952, a Casa Ilha da Madeira.

Para tanto fez-se um estatuto, devidamente registrado em cartório e estabeleceu-se, tacitamente, a Agência de Turismo do Sr. Gouveia, no 5º andar de um prédio à R. Xavier de Toledo, como sede da nova entidade. Aí realizavam-se as reuniões, sempre informais, com um pequeno grupo de amigos mais chegados.

Aí combinavam-se os próximos eventos e discutiam-se os problemas do Brasil e da Madeira. Uma vez por mês realizavam-se almoços, no Domingo, em algum restaurante da cidade, almoços estes que chegavam a reunir cinquenta a sessenta casais madeirenses. Uma vez ao ano realizava-se um churrasco, que contava com um grande número de madeirenses.

  A certa altura, tais atividades careciam de complementações culturais e artísticas, ensejando a idéia da necessidade de uma sede. Alguns madeirenses, portadores de bagagem emocional própria dos que se ausentam de sua terra natal, dedicavam-se, além de seus afazeres normais, a atividades que lhes sensibilizavam, ou seja, cantar e dançar o bailinho, extravasando os seus sentimentos e exercitando costumes e tradições que já lhes eram familiares, resgatando uma das características mais importantes do ilhéu que é o folclore no capitulo artístico.

O Grupo Folclórico

As reuniões e ensaios ocorriam, provisoriamente, na rua Mauá, no centro de São Paulo, e, posteriormente foi alugada uma sede na rua Voluntários da Pátria, onde seu Jaime de Nóbrega foi fiador.

Dois incansáveis praticantes dessas atividades, Jaime de Nóbrega e João da Cruz, cada um com seu grupo, resolveram engrandecer a causa do folclore, juntaram os dois grupos e, assim, em 17 de outubro de 1967 fundaram o Grupo Folclórico Ilha da Madeira, surgindo o original conjunto que dançava e cantava o bailinho.

Foi assim que em 15 de junho de 1969, por iniciativa do Sr. Jaime de Nóbrega e do Sr. João da Cruz, apoiados por amigos tais como o Marcelinho, o Baratinha e o Teodoro, fundaram a Sociedade Amigos Ilha da Madeira. Os fundadores, cujos nomes constam do primeiro estatuto deram início às reuniões e elegeram o Sr. Jaime de Nóbrega como primeiro Presidente e o Sr. João da Cruz diretor de folclore, ensaiador e tesoureiro.

O grupo Folclórico da Casa da Madeira reune jovens filhos de portugueses e de outras nacionalidades e subdivide-se em Grupo Infanto Juvenil e Grupo Adulto. Ambos cumprem um intenso calendário de ensaios e apresentações em festas e eventos, dentro e fora do Estado de São Paulo, já tendo inclusive se apresentado, em setembro de 1997, na Ilha da Madeira.

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O Sr. Agostinho Gouveia que ocupou a presidência da Casa Ilha da Madeira desde 1950, percebeu que o novo Grupo que se estruturava tinha muito boas condições para reunir toda a comunidade.

A nova sede

Vários madeirenses aplaudiram a iniciativa e, logo de início, foi utilizada uma casa do patrão do Sr. João da Cruz na Rua Mauá, que abrigou a entidade durante um curto período. Posteriormente alugaram uma sede na rua Voluntários da Pátria , onde ficaram por dois anos. Ao mesmo tempo, adquiriu-se um terreno á Av. Parada Pinto, que foi o núcleo do espaço hoje ocupado pela Casa. 

Doações, a contribuição mensal dos sócios, assim como um longo parcelamento, permitiram essa compra assim como a construção de um galpão no qual, finalmente, a comunidade podia se reunir e o Grupo Folclórico ensaiar e se apresentar. A espetada era feita ao ar livre, em churrasqueiras improvisadas em um canto do terreno. Mas o vinho era generoso, jogava-se a "bisca" e cantava-se e bailava-se à vontade

Na nova entidade, a presidência coube ao Sr. Jaime Nóbrega, durante os primeiros quatro anos e ao Sr. João da Cruz nos seguintes dois anos, ocasião em que o o inesquecível empresário madeirense Sr. Manuel da Silva Sé fez uma doação de cinquenta mil cruzeiros, para a compra de um outro terreno anexo, que hoje está ocupado pelo espaço das apresentações. Muitas festas se realizaram, muito vinho se bebeu, muitos bailinhos se dançaram nesse novo espaço de convivência para os madeirenses...

O mandato seguinte foi exercido pelo Sr. Cézar Fernades Rosa, a quem coube dar um significativo incremento ao patrimônio da entidade, com a aquisição de uma casa contígua à sede, assim como de um outro terreno, ao lado, para estacionamento dos carros dos sócios e visitantes .. Algumas obras dotaram o espaço de um bar, explorado por terceiros, e algumas instalações para administração e depósito.

As Festas

Foi, entretanto, na gestão do Sr. Francisco Evaristo Teixeira, que se conseguiu erguer, no local do antigo galpão, o prédio que hoje se constitui na sede da Casa. Foi grande o esforço para a concretização dessa obra. Muito trabalharam os diretores, as esposas e toda a comunidade. Realizavam-se, mensalmente festas típicas, que chegaram a contar com duas mil pessoas presentes e cujo lucro era todo investido nas obras. 

Nestes eventos tivemos a presença de Embaixadores, Consules, Secretários de Estado da Madeira e de São Paulo, Presidentes de outras entidades portuguesas de São Paulo do Brasil e de outros países. Madeirenses e portugueses continentais fizeram significativas doações, sem as quais não se teria chegado a bom termo nesse empreendimento.

Foi ainda nesta gestão que se recuperou, para as festas da Casa, um antigo costume madeirense de convidar-se um personagem ilustre para patrocinar a festa. Esse costume, instituído na Madeira para festejar as novenas de São João, nos dias 18 à 23 de junho, inspirou o Sr. Evaristo a convidar um festeiro para patrocinar as festas da Casa.Com essa instituição, aumentou-se a frequência ,  obteve-se um maior brilhantismo e uma saudável competição entre as festas e entre os festeiros.

Inauguração da Sede   O Sr. Presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. Alberto João Jardim, prestigiou a casa com sua presença em três ocasiões diferentes: em maio de 1980, na gestão do Sr. Cézar Fernandes Rosa, em outubro de 1993, na gestão do Sr. Francisco Evaristo Teixiera, para inaugurar a nova sede recém construída e em outubro de 1997 para cortar a fita inaugural do museu e biblioteca, construídos na gestão do Sr. Manoel Bitencourt.

Hoje a Casa da Madeira conta com uma bela sede, cujo estilo reproduz a arquitetura mais tradicional da Madeira. Conta ainda com uma biblioteca que reúne obras de interesse da comunidade, e desenvolve uma intensa atividade voltada para o cultivo do Folclore da Madeira e divulgação da Casa.

Os novos estatutos

Por iniciativa da atual Diretoria, obteve-se a reforma dos estatutos da Casa, permitindo a retomada do antigo nome de "Casa Ilha da Madeira" Neste documento estão estabelecidos os objetivos da casa, voltados para "congregar portugueses, madeirenses, luso-brasileiros e outras origens, possibilitando a convivência social e estimulando laços de união e fraternidades entre os associados". Pretende ainda "divulgar os costumes, a música, tradições culturais, o folclore do povo madeirense e ainda proporcionar a seus associados e dependentes, atividades de caráter social, educativo, cultural, recreativo e esportivo"